Dr. André Fujioka — Cirurgião Robótico do Aparelho Digestivo

Hérnias e Parede Abdominal

Hérnia Inguinal

A hérnia inguinal é o tipo mais comum de hérnia da parede abdominal. Ela aparece como um abaulamento na virilha, costuma aumentar com esforço e tem tratamento definitivo cirúrgico.

O que é a hérnia inguinal

A região inguinal é uma área naturalmente mais frágil da parede abdominal, por onde passam estruturas como o cordão espermático, no homem, e o ligamento redondo, na mulher. Quando essa região perde resistência, parte do conteúdo do abdome — gordura ou alça intestinal — se projeta através do defeito, formando a hérnia.

É o tipo mais frequente de hérnia da parede abdominal e acomete pessoas de todas as idades, com predominância no sexo masculino.

Sintomas

  • Abaulamento na virilha, que aparece ou aumenta em pé e ao fazer esforço
  • Dor, peso ou queimação local, principalmente no fim do dia
  • Desconforto ao tossir, levantar peso ou praticar atividade física
  • Aumento progressivo do volume ao longo dos meses
  • Em homens, extensão do abaulamento até a bolsa escrotal

Causas e fatores de risco

  • Fragilidade congênita da região inguinal
  • Esforço físico repetido e levantamento de peso
  • Tosse crônica e tabagismo
  • Constipação intestinal e esforço evacuatório
  • Aumento da pressão abdominal por obesidade ou gestação
  • Histórico familiar de hérnias

Diagnóstico

Na maior parte dos casos o diagnóstico é clínico: o cirurgião identifica a hérnia ao exame físico, em pé e em repouso, com manobras de esforço. Exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, são reservados para casos de dúvida diagnóstica, hérnias pequenas, pacientes com dor sem abaulamento evidente ou planejamento de hérnias complexas e recidivadas.

Tratamento

Não existe tratamento medicamentoso, fisioterápico ou com cintas que corrija a hérnia inguinal. A cinta apenas contém temporariamente o abaulamento e não trata o defeito da parede. O tratamento definitivo é cirúrgico.

A cirurgia consiste em reposicionar o conteúdo herniado e reforçar a parede inguinal, na maioria dos casos com uma tela, que distribui a tensão e reduz o risco de a hérnia voltar.

Quando operar

A indicação cirúrgica é individual e leva em conta sintomas, tamanho da hérnia, ocupação, idade e condições clínicas. Hérnias sintomáticas ou que aumentam progressivamente têm indicação de correção programada.

Existem situações de urgência: dor intensa e súbita, hérnia endurecida que não retorna à cavidade abdominal, vermelhidão local, náuseas e vômitos podem indicar encarceramento ou estrangulamento. Nesses casos, é necessário atendimento imediato.

Tipos de cirurgia

  • Cirurgia aberta com tela — acesso direto sobre a região inguinal, indicada em casos selecionados
  • Videolaparoscopia — pequenas incisões, com posicionamento da tela por dentro da parede abdominal
  • Cirurgia robótica — visão 3D e instrumentos articulados, útil em hérnias bilaterais, recidivadas ou de correção mais complexa

Cirurgia robótica na hérnia inguinal

A plataforma robótica permite dissecção precisa do espaço pré-peritoneal e sutura delicada, com visão tridimensional ampliada. É especialmente útil em hérnias bilaterais, em recidivas e em pacientes com cirurgias abdominais prévias, situações em que a anatomia costuma estar alterada.

Recuperação

Na maioria dos casos a cirurgia é realizada em regime de internação curta. Nos primeiros dias, é comum haver desconforto local e edema, controlados com medicação. Caminhar precocemente faz parte da recuperação.

O retorno ao trabalho depende da atividade exercida, e o retorno à academia e a esforços intensos é progressivo, sempre orientado pelo cirurgião na consulta de revisão.

Perguntas frequentes

Hérnia inguinal pode sumir sozinha?
Não. O defeito na parede abdominal não se fecha espontaneamente, e a tendência natural é de aumento com o tempo.
Usar cinta resolve?
Não. A cinta apenas contém o abaulamento temporariamente e pode mascarar sintomas, atrasando o tratamento adequado.
A cirurgia sempre usa tela?
Na grande maioria dos casos sim, porque a tela reduz de forma significativa o risco de recidiva. Situações específicas podem ter conduta diferente.
Quanto tempo depois posso voltar a dirigir e trabalhar?
Costuma ser questão de poucos dias para atividades leves, com liberação individualizada conforme a técnica utilizada e a ocupação do paciente.

Referências

Revisado por Dr. André Fujioka — CRMMG 67.376 | RQE 47559 | RQE 40916. Atualizado em 10 de agosto de 2026.

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